sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Guerreiro

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Guerreiro (Warrior, 2011)

Estreia oficial: 9 de setembro de 2011
Estreia no Brasil: lançado diretamente em DVD
IMDb



O roteiro de "Guerreiro", escrito por Gavin O'Connor (que também o dirige), Anthony Tambakis e Cliff Dorfman, tira proveito do esporte do momento, o MMA (Mixed Martial Arts), como pano de fundo para um melodrama familiar repleto de amarguras. O grande diferencial aqui, é que a história preocupa-se em desenvolver bem seus personagens, fazendo com que nós espectadores, consigamos tanto repreender quanto torcer por cada um dos vértices desse triângulo familiar, formado por Paddy Conlon (Nick Nolte), o pai, e seus filhos, Brendan (Joel Edgerton) e Tommy (Tom Hardy).

A história entre os três vai se desenvolvendo e vamos, aos poucos, descobrindo a razão de tanta inimizade e do seu afastamento. O primeiro terço do filme fica reservado para o desenvolvimento individual de cada personagem. Assim, o pano de fundo, o MMA, vai sendo introduzido aos poucos, até que ganha maior projeção no terço final, quando um torneio desenvolve-se com tamanha veracidade.

A direção de O'Connor é muito precisa, e consegue transitar bem entre os momentos de maior dramaticidade do começo, e uma ótima decupagem da parte final, quando as lutas acontecem. Aliás, tais coreografias impressionam não apenas pela sua montagem, mas também pela ótima edição de áudio, o que lhes garante um ar mais realista.

Mas são mesmo os personagens e as atuações de seus atores o que torna "Guerreiro" mais do que um simples filme de esportes. John Edgerton (do ótimo "Reino Animal") está bem como um pai de família dividido entre a promessa que fez à esposa de que não mais ganharia a vida 'levando porrada', e a chance de ganhar dinheiro de modo mais rápido afim de não perder sua casa. Ele também dá aulas de física para o ensino médio, e o contraste que Edgerton consegue imprimir é gritante: quando está com seus alunos ou em casa com a família tem um ar responsável e acolhedor; já quando está dentro do ringue, impressiona pela resistência com que enfrenta seus adversários. Já Tom Hardy está um 'monstro', e sua potência física já impressiona apenas ao olharmos para ele; mas são nos momentos de maior introspecção de seu personagem que o ator cresce. Extremamente calado, Tommy consegue demonstrar apenas por sua postura a vida sofrida e repleta de decepções pela qual passou. Seu ressentimento com o pai e com o irmão mais velho, e sua lealdade à viúva de um ex-companheiro da época em que era fuzileiro naval, tornam-no, talvez, o personagem mais complexo da história. Se bem que o páreo é duro, já que seu pai, Paddy, não fica muito atrás. Ex-treinador de sucesso, o sujeito perdeu tudo o que tinha, família e carreira, devido ao alcoolismo. Quando conhecemos Paddy, porém, ele já está 'limpo' há bastante tempo, e tenta reaproximar-se dos filhos, procurando pelo perdão destes. E Nick Nolte está ótimo. Sua fala arrastada, seu jeitão 'lento' e seu olhar sofrido revelam um homem que tem consciência do mal que causou aos seus familiares, mas que luta por uma redenção.

Enfim "Guerreiro" é isso mesmo, um filme de redenção. Um filme de MMA que sabe utilizar-se do esporte para dar ainda mais dramaticidade à sua história principal, dando tempo para que seus personagens se desenvolvam corretamente. Ao final do longa, é impossível não se sentir tocado pela história dessa sofrida família, e isso acontece porque nos importamos com cada um deles.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski


 

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