quinta-feira, 14 de julho de 2011

Harry Potter e o Enigma do Príncipe

ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and the Half-Blood Prince, 2009)

Estreia oficial: 15 de julho de 2009
Estreia no Brasil: 15 de julho de 2009
IMDb



O que mais chama a atenção neste "Harry Potter e o Enigma do Príncipe" é o contraste da sua atmosfera sombria, deprimente e com perigos iminentes com aquela feliz e encantada dos primeiros filmes. Contraste também presente no próprio trio protagonista que, se antes desfilava sorridente pelos corredores da Escola de Hogwarts, a cada novo episódio, apresenta um semblante mais fechado e preocupado.

E, ao contrário do episódio anterior, onde Harry e Dumbledore mal se falavam durante a trama, aqui a relação entre os dois é o fio condutor do roteiro (que volta a ser assinado por Steve Kloves). É, inclusive, Dumbledore, ou melhor, Michael Gambon, o grande destaque deste capítulo da saga. Ver as pequenas nuances da composição de seu personagem é um deleite. Cada olhar de preocupação, cada ação minuciosamente calculadas, seu ar de remorso por ter dado a chance de Voldemort ter se tornado o grande bruxo que se tornou, a consciência e culpa por exigir demais de Harry Potter... Enfim, Gambon retrata todos esses sentimentos com perfeição.

Mas não só ele. Daniel Radcliffe cresce ainda mais em sua interpretação de Harry. Ao mesmo tempo em que Rupert Grint e Emma Watson sentem-se cada vez mais à vontade com seus personagens, Ron e Hermione, e a química entre eles, e seu relacionamento de amizade-amor não declarado-crises de ciúmes dá o contra-ponto divertido à densa narrativa. E, pela primeira vez na série, Tom Felton consegue dar uma carga dramática a Draco Malfoy, tornando-o um personagem tridimensional e em crise com sua própria consciência.

Dentre o notável elenco de apoio, Alan Rickman novamente sobressai-se e tem mais tempo em tela para construir seu complexo Professor Snape. Assim como Jim Broadbent, que junta-se ao elenco como o Professor Horácio Slughorn, e parece realmente se divertir em sua composição, servindo como um dos alívios cômicos da narrativa, o que não impede de ser deste personagem um dos momentos mais tocantes do longa.

A fotografia de Bruno Delbonel é extremamente eficiente em criar um clima crescente de apreensão e tristeza, com sua paleta de cores dessaturadas. Ao mesmo tempo em que o diretor David Yates acerta no tom conspiratório que emprega à narrativa, com uma câmera que sempre revela semblantes nos escuros cantos dos corredores de Hogwarts - seja o solitário e dividido Draco Malfoy ou os tórridos casais de namorados. Ao mesmo tempo em que o diretor dita o ritmo de sua narrativa com as bem decupadas (e executadas) cenas de ação.

Finalmente, mesmo sem ser o melhor livro escrito por J. K. Rowling, "O Enigma do Príncipe" gera o melhor filme até agora da sua franquia, preparando o terreno para os grandes conflitos que ainda virão nas duas partes finais da saga do bruxo mais famoso do mundo.

Fica a dica!


por Melissa Lipinski


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